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ENTRE E FIQUE À VONTADE.

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A base aliada e o voto dos eleitores

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A base aliada acaba de eleger Walter Gomes como presidente da Câmara. Até os vereadores evangélicos (Cícero, Saulo, Zanferdini) preferiram a candidatura de Walter Gomes do que a de Glaucia Berenice. De acordo com a sua cosmovisão cristã, certamente WG deve estar mais de acordo com planos de Deus. Mas os planos de Deus não explicam toda a tragédia de nossa cidade.

A votação destes 15 vereadores juntos chega a 70.070 votos sobre um total de votos nominais que alcançou 273.526 votos, ou seja, 203.456 não votaram nestes vereadores da base aliada, levados pelos mais diversos motivos que não cabe aqui agora discutir. Mas estes mais de 200 mil eleitores se dispersaram pelas 426 candidaturas restantes. Esta dispersão que acabou resultando na eleição de apenas 7 vereadores da oposição torna visível questões muito sérias da parte da sociedade civil organizada da nossa cidade. Não dá para negar.

Os arranjos de coligação, os acordos eleitorais com a prefeita, a força do poder econômico, a desinformação dos eleitores sobre o processo eleitoral – tudo isso explica este resultado. Acrescente-se a isso o maior equívoco político dos últimos tempos: as campanhas do “não reeleja” sem apontar ou sem assumir publicamente nenhuma candidatura que se oporia a estas práticas políticas condenáveis ou a um futuro trágico claramente anunciado. Ouso dizer que estas campanhas só reforçaram a proporção dos reeleitos, a maior dos últimos pleitos. Não cabe aqui elucidar as razões disso mas elas são patentes.

Mas será que a grande maioria destes eleitores da base aliada sabia, antes das eleições, dos votos e das posições que assumiriam os seus candidatos-eleitos na Câmara? Só para citar, então, situações mais recentes: que WG seria eleito presidente da Câmara para 2014 ? Que esta mesma base aliada iria aprovar as contas de 2010 da prefeita, já reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado? Que esta mesma base aliada não aprovaria o relatório final da CPI dos Transportes Públicos que apontou graves irregularidades da parte da Transerp , da Prefeitura e do consórcio permissionário? Que esta mesma base aliada aprovaria uma CPI apenas para perseguir os artistas e os movimentos culturais da cidade? Que aprovaria um endividamento de quase meio bilhão da prefeitura colocando em risco o futuro das próximas gerações? E por aí vai…

Não é uma questão de responsabilização, mas não dá para desconhecer o voto de cerca de 70 mil eleitores sobre os destinos de nossa cidade. Certamente surgirão várias outras teorias e explicações a partir destas minhas provocações. Mas uma coisa é certa: estamos levando muito na brincadeira as eleições para a Câmara Municipal. O resultado está aí.

PROFESSOR LAGES

Enquadrar Black Blocs para impedir a desobediência civil (ou: Matando dois coelhos com uma cajadada só)

de Humberto Ramos

O ano de 2013 foi um ano repleto de manifestações e protestos de toda sorte. Ficou claro que o acúmulo de insatisfações aliado à surpreendente redescoberta da relativa eficiência dos protestos de rua com desobediência civil alimentou os ânimos de diferentes grupos e categorias de movimentos sociais. Conquanto algumas pessoas afirmem que nada adiantou ou mesmo que o “gigante” voltou a dormir, isso não é verdade. Continue lendo

É A CONJUNTURA, ESTÚPIDO.

untitledpor José Arbex Jr., especial para o Viomundo

“Seria mais fácil explicar os protestos quando eles ocorrem em países não democráticos, como no Egito e na Tunísia, em 2011, ou em países onde a crise econômica elevou a índices assustadores o número de jovens desempregados, como na Espanha e na Grécia, do que quando eles ocorrem em países com governos populares e democráticos – como no Brasil, que atualmente exibe os menores índices de desemprego de sua história e uma expansão sem paralelo dos direitos econômicos e sociais. Muitos analistas atribuem os recentes protestos à rejeição da política. Creio ser precisamente o contrário: eles refletem o desejo de ampliar o alcance da democracia, de encorajar as pessoas a participarem de uma maneira mais plena.”

O diagnóstico é feito pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em artigo de sua autoria, publicado no jornal estadunidense The New York Times, em 16 de julho. Lula está certo. Os jovens que tomaram as ruas querem mais do que aquilo que já têm.

O desejo se reflete na palavra de ordem “queremos escolas (e hospitais, postos de saúde, serviços públicos) com padrão Fifa”. A alusão à Fifa não é um aspecto secundário das manifestações. Continue lendo

OS ACORDOS PARTIDÁRIOS QUE LEVARAM O DEPUTADO PASTOR MARCO FELICIANO À PRESIDÊNCIA DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Noé amaldiçoando a ÁfricaUm aspecto importante tem passado despercebido diante do clamor nacional contra a presença de um deputado assumidamente racista, homofóbico e intolerante em relação a outras religiões na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) na Câmara dos Deputados. Justamente o acordo entre os partidos da base aliada e mesmo da oposição que resultou na eleição, entre seus pares, de Marco Feliciano (PSC-SP) para a referida presidência.

Nas palavras do ex-presidente da CDHM, deputado Domingos Dutra (PT-MA), o PT se desinteressou pela esta comissão. Este partido é que vinha presidindo ou valorizando esta comissão desde a sua criação e desde o seu primeiro presidente, deputado Nilmário Miranda (PT-MG). Estes dois deputados lamentaram este fato.

Agora, sabemos que em nome da governabilidade, de manter a maioria do Legislativo e o apoio dos partidos da base aliada e garantir condições favoráveis para a reeleição da presidenta Dilma, o governo e seu partido (PT) não consideraram os interesses da sociedade civil organizada (grupos de direitos humanos, minorias, etc.), e podemos dizer assim, simplesmente rifaram a CDHM para justamente aqueles que possuem posições declaradamente contrárias àqueles interesses. Continue lendo

BRASIL VIVO

de Célio Turino

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Brasília, 16 de fevereiro de 2013. Eu estava lá. Eu sempre estive lá. De repente, 36 anos de militância passam em minha mente. Até antes disso. A descoberta das histórias dos “de baixo” ao caminhar com meu avô, auxiliando-o na venda de empadas pelas ruas da Vila Industrial, em Campinas. As histórias de Jean Valjean, as aventuras do Lobo do Mar, a dedicação revolucionária de Etienne. A vida subterrânea nas minas de carvão descrita por Zola em Germinal, os ideais revolucionários de Jack London, o humanismo de Vitor Hugo e seu olhar para os miseráveis. Jorge Amado e a heroína Mariana, em Subterrâneos da Liberdade. Assim começou minha formação: caminhando, ouvindo, lendo. Imaginando, agindo, sonhando.

Sonhei. Tão logo assumi a militância clandestina no PCdoB, adotei o codinome Oswaldo, herói da guerrilha do Araguaia, morto e esquartejado quatro anos antes. Novas leituras, mais ação. Marx, Engels, Lenin, Mao, General Giap. Passeatas, assembléias, reuniões clandestinas, pichações na madrugada, confrontos com a repressão, greves, piquetes, vendas de jornal em praças públicas e portas de fábrica. Movimento Estudantil, Contra a Carestia, pela Anistia, movimento Sindical, em Defesa da Amazônia, Diretas Já! Minha história. Nossa História. Continue lendo

Dois textos sugerem: movimentos que puxaram mobilizações anticapitalistas de 2011 precisam dar um passo adiante. Tem a ver com poder.

Por Antonio Martins

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade, decepado
Entre os dentes segura a primavera
Primavera nos dentes, Secos & Molhados

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No ano frenético de 2011, os Indignados espanhóis e o Occupy Wall Street, dos EUA, foram protagonistas centrais. Levaram imensas multidões às ruas, para protestar contra o sequestro do futuro coletivo “por banqueiros e políticos”. Retomaram a denúncia do capitalismo, esquecida durante décadas em seus países. Reincluíram na agenda de debates temas esquecidos, como o crescimento das desigualdades e o surgimento de uma oligarquia financeira. Suas ideias influenciaram, em certo momento, as maiorias. Por isso, conquistaram espaços na mídia, entre os intelectuais e artistas. No entanto, sua capacidade de manter a mobilização inicial foi limitada. Iniciados respectivamente em maio e setembro, Indignados Occupy refluíram cerca de dois meses depois. Desalojados das praças que ocupavam por repressão policial, não recobraram, até o momento, a antiga potência — nem para reunir multidões, nem para influenciar o debate público. Por que? Continue lendo

CARTA ÀS ESQUERDAS

A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas

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de Boaventura de Sousa Santos

Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas, mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação, mas é uma fonte importante. Continue lendo

Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho

  Leonardo Boff

Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.

E o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam. Continue lendo

Para quem acha que ter opção política e votar em algum partido e/ou algum candidato depende apenas da moral e da ética

Observamos uma forte tendência claramente conservadora de se reduzir toda a discussão política a uma questão moral e ética. Para esta tendência não conta a História, a Sociologia, a Economia. Os mapas acima podem nos esclarecer, muito bem, como que em sociedades até avançadas e, até certo ponto, já bastante homogêneas, a opção do voto é claramente explicada por diversos fatores históricos e sociológicos. É óbvio que o conservadorismo moral tem suas bases históricas e sociológicas. Veja o mapa e será possível entender porque Obama perde no sul e no meio oeste, exatamente os estados escravagistas e que mais insistiram no segregacionismo, e hoje assistem à presença de igrejas e seitas fundamentalistas que votam nos republicanos.