BLOG DO PROFESSOR LAGES

ENTRE E FIQUE À VONTADE.

BLOG DO PROFESSOR LAGES - ENTRE E FIQUE À VONTADE.

Eu, JK e o Clube da Esquina. Era 1971 em Diamantina!

JK e Clube da Esquina

O presidente bossa nova também era o presidente do Clube da Esquina. Em 1971, em sua cidade natal, Diamantina, Juscelino Kubitschek sentou na praça para ouvir um violãozinho de um cantor de voz macia a quem chamavam de Bituca, que, como todos sabem, era o Milton Nascimento. Esse raro registro do (legítimo) envolvimento artístico de um presidente com uma escola musical da MPB está registrada no livro Os Sonhos não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina, escrito por Márcio Borges.

O fotógrafo Juvenal Pereira relembra no livro a história destas fotos de JK com o Clube da Esquina. Ele conta que, no início dos anos 70, era free-lancer da revista O Cruzeiro e tinha ido a Diamantina a trabalho. Tinha ido de ônibus com Milton Nascimento e Lô Borges a partir da Rodoviária de Belo Horizonte. Viajaram em pé e à noite para encontrar os repórteres Fernando Brant (texto) e Luiz Alfredo (fotos), da revista O Cruzeiro. “Na procura de locações, encontramos o ex-presidente Juscelino Kubitschek com a equipe de reportagem da revista Manchete, que era concorrente de O Cruzeiro. A equipe da revista concorrente concordou em nos “emprestar” JK para algumas fotos.”

Para sorte minha, JK resolveu fazer uma visita ao Seminário e foi acompanhado pelos futuros grandes nomes da MPB. Tiraram várias fotos de JK sentado no jardim em frente ao Seminário rodeado pelos estudantes. Eu estava no meio deles. Fazia o 1º ano do Ensino Médio e tinha 15 anos. Na foto em PB, sou o de óculos, todo compenetrado, bem abaixo da coluna grega à direita que ostentava o pórtico desta vetusta e renomada escola. Eu vestia uma camisa branca que deixa aparecer a gola na foto. Estou ao lado do Edson Passos, um seminarista já no curso de Filosofia que, por isso mesmo, já usava batina. Consigo identificar vários outros colegas na foto.

Todas as vezes que Juscelino ia a Diamantina fazia questão de ir ao Seminário, pois estudara ali no final dos anos 20. Era sempre recebido com enorme carinho e gratidão, o mais ilustre dos diamantinenses, perseguido e exilado pela Ditadura Militar.

Há alguns meses me deparei com uma destas fotos na internet. Agora, aprofundando a pesquisa, me deparei com uma coleção completa de fotos tiradas no mesmo momento, inclusive esta em PB, onde pude claramente me identificar.

O que foi o Clube da Esquina?

 

 

Clube da Esquina foi um movimento musical que surgiu no final da década de 1960 em Minas Gerais. O Clube da Esquina surgiu da grande amizade entre Milton Nascimento e os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô), no bairro de Santa Tereza, Belo Horizonte, depois que Milton chegou à capital para estudar e trabalhar. Milton acabara de chegar de Três Pontas, cidade onde morava a família e onde tocava na banda W’s Boys com o pianista Wagner Tiso; com Marilton foi tocar na noite, no grupo Evolussamba. Compondo e tocando com os amigos, despontava o talento, pondo o pé na estrada e na fama ao vencer o Festival de Música Popular Brasileira e ao ter uma de suas composições, “Canção do sal”, gravada pela então novata Elis Regina.

Aos fãs dos Beatles e The Platters novos integrantes vieram juntar-se: Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes e o letrista Fernando Brant. O nome do grupo foi idéia de Márcio que ao ouvir a mãe perguntar dos filhos, ouvia a mesma resposta: “Estão lá na esquina, cantando e tocando violão.” Em 1972 a EMI gravou o primeiro LP, Clube da Esquina, apresentando um grupo de jovens que chamou a atenção pelas composições engajadas, a miscelânea de sons e riqueza poética. O cantor e compositor Tavito faz referência às saudades do Clube da Esquina na música Rua Ramalhete.

Todos os seus integrantes engajaram numa carreira solo de sucesso, além da formação do grupo 14 Bis, que também fez muito sucesso desde a criação de O Terço. Considera-se que seus principais participantes tenham sido Tavinho Moura, Wagner Tiso, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Toninho Horta, Flávio Venturini, e os integrantes do 14 Bis, entre outros.

 

Fundadores: a saga de Manoel Fernandes do Nascimento

Este livro conta a vida e a morte de Manoel Fernandes do Nascimento, mineiro de Itajubá que migrou para o interior paulista por volta de 1840. Por aqui ele chegou decidido a construir uma cidade e não mediu esforços para transformar em realidade o seu intento. Acabou assassinado em meio às contradições entre o rural e o urbano que marcaram o nascimento de Ribeirão Preto.

Você pode adquirir este livro gratuitamente e outros 9 títulos de outros autores que fazem parte da coleção Nossa História. É só ir até a Secretaria de Cultura, no Morro de São Bento, ou no Centro Cultural Palace (Instituto do Livro), na Praça XV.

A utopia atualizada: o Memorial da Classe Operária como espaço de articulação política em Ribeirão Preto

 

De Jose Antonio Lages


 Em 2004 o movimento patrimonialista de Ribeirão Preto obteve importante vitória quando o Ministério Público acordou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com uma empresa de construção civil, responsável pela destruição quase completa da antiga Cerâmica São Luiz, já protegida por processo inicial de tombamento. Continue lendo

O SUPORTE DO ARQUIVO PÚBLICO E HISTÓRICO DE RIBEIRÃO PRETO PARA A PESQUISA EM HISTÓRIA REGIONAL: POSSIBILIDADES EM HISTÓRIA DEMOGRÁFICA

Jose Antonio LAGES*

Resumo

Esta comunicação pretende levar ao conhecimento dos participantes da XVª Semana de História do Centro Universitário Barão de Mauá as diversas possibilidades de pesquisa no rico acervo documental encontrado no Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto (APHRP).  Diversas coleções permitem ao pesquisador enorme produção de conhecimento histórico. Para o âmbito da História Demográfica, por exemplo, podemos destacar a coleção de cerca de 2.500 inventários do antigo Cartório do 1º Ofício e de 25 mil prontuários do antigo Departamento de Serviço de Trânsito. Para o aprofundamento da pesquisa, o APHRP dispõe de grande acervo de dados demográficos a partir dos registros paroquiais de batismo, casamento e óbito, listas eleitorais e os censos de São Paulo e Minas Gerais. Continue lendo

ESCRAVIDÃO NO OESTE PAULISTA: CONTINUIDADE E RESISTÊNCIA um estudo sobre a última década do trabalho escravo em São Simão e Ribeirão Preto

A decolagem da agricultura de exportação na província de São Paulo dependeu diretamente do aumento da importação de escravos e, após 1850, do tráfico interprovincial. A implantação e desenvolvimento inicial da lavoura cafeeira no Oeste Novo paulista explicam o aumento da participação do braço escravo na passagem da década de 1870 para 1 de 1880, num momento de extrema inelasticidade deste sistema de trabalho. Alguns dados extraídos de registros de hipoteca de propriedades rurais nos termos de São Simão e Ribeirão preto tendem a confirmar este fato. Continue lendo

Garrotes, madeira, alfinetes de ouro, pregos e… cadáveres na contabilidade da Igreja!

Um dos “achados” mais surpreendentes no meio do acervo documental do falecido historiador Pedro Miranda que sua família doou em 2002 ao Arquivo Municipal e Histórico de Ribeirão Preto está um livro de contabilidade. Mas um livro de contabilidade muito especial!

Na maior parte de suas páginas de papel “al masso” Gio Magnani, encontramos registros de sepultamentos realizados no cemitério da antiga capela de São Sebastião do Ribeirão Preto, localizada exatamente onde hoje está a fonte luminosa da Praça XV. O cemitério, com certeza, aos fundos, localizava-se entre a fonte luminosa e onde hoje está o Theatro Pedro II. Estão ali 284 sepultamentos realizados entre 19 de outubro de 1867 e 14 de junho de 1870 (existiu outro cemitério antes desse – ainda não localizado – pois o arraial já aparece citado em documentos eleitorais de São Simão já em 1856), grande parte de crianças e recém-nascidos (elevada mortalidade infantil). Continue lendo